Quarta-feira, Agosto 29, 2007

Razões para te tornares vegetariano

Vegetarianismo: Razões Economicas
Embora a crença generalizada possa ser ao contrário, ser vegetariano pode permitir poupar dinheiro! Existem muitos tipos de vegetais, cereais, frutas, nozes e uma enorme variedade de outros produtos disponíveis no mercado. Bem equilibrados, são facilmente um bom substituto para a carne ou peixe a um preço mais baixo.
Vantagem econômica global
Economicamente, a dieta omnívora tem produzido tragédias. Nas últimas décadas, a produção de grãos - só nos EUA - aumentou em quase 100%. Calcula-se que, actualmente, os rebanhos americanos consumam 85% de todo o milho, cevada, aveia e soja produzidos e não exportados.
Uma extensa porção do país é utilizada para produzir carne de boi - terra que poderia ser usada para cultivar alimentos vegetarianos e alimentar muito mais pessoas do que a carne produzida é capaz.
33% dos grãos produzidos no mundo e 70% dos grãos produzidos nos EUA são para alimentar os animais criados para o consumo humano.
Muitas das nações em desenvolvimento plantam e exportam grãos para alimentar o gado das nações ocidentais, enquanto que sua população interna morre de fome.
A maioria das pessoas concorda com o facto de que desperdiçar comida não é uma atitude correta, nem econômica. Contudo, todo o esforço e energia para produzir cerca de 1 quilograma de proteína de carne desperdiça cerca de 16 quilos de proteínas de grãos. Este desperdício, apenas nos EUA, seria suficiente para cobrir 90% do déficit anual de proteína no mundo inteiro.
Ser vegetariano reduz também os custos com a saúde pública, sendo este um tema para muitos artigos. Como já disse Albert Einstein, "se o mundo inteiro adoptar o vegetarianismo, isso poderá modificar o destino da humanidade", e poderá haver muito menos pessoas subnutridas ou a morrer de fome por todo o mundo.
Alguns números
Se criarmos um boi nos 4 hectares necessários ao seu crescimento, teremos 39 quilos de proteína após quatro anos (o período que ele precisa para estar apto a ser consumido). Se plantarmos arroz nessa mesma área e no mesmo período de tempo, obteremos 1520 quilos de proteína (sem contar os demais nutrientes).
Um adulto com 70 quilos consome cerca de 70 gramas de proteína por dia, o que significa que, se criarmos gado, teremos proteína para cerca de um ano e meio. Se, entretanto, plantarmos arroz, teremos cereal para alimentar este homem durante cerca de 60 anos. Em poucas palavras, significa multiplicar por 40 o número de pessoas que poderiam ser alimentadas em uma mesma área e no mesmo espaço de tempo.
Se as terras cultiváveis empregadas na pastagem fossem utilizadas principalmente para a produção de cereais e legumes, a oferta de comida seria bem maior e a fome, conseqüentemente, menor.

Vegetarianismo: Razões Éticas
O vegetarianismo é, para muitos, uma filosofia de vida em que se privilegia um equilíbrio corpo/mente. É uma forma de se sentir bem com o seu corpo e com o ambiente que o rodeia. Em síntese, uma opção mais humana e mais natural que minimiza o sofrimento dos animais, tirando a superioridade dos Humanos em relação ás outras espécies.
Ao ser vegetariano, estás a priviligiar o respeito pelo outro e pelos animais. Ser vegetariano é, sem dúvida, uma forma mais harmoniosa e compassiva de encarar os animais e o mundo; uma opção mais natural de vida e de estar em sintonia com a natureza e contigo mesmo.
Muitos também privilegiam esta dieta por motivos religiosos, como é o caso dos Hindus, dos jainistas e de outras correntes religiosas.

Vegetarianismo: Razões Filosóficas
O vegan defende que o homem deve viver autonomamente, sem depender de outras espécies animais.
O vegan também é uma filosofia e prática de vida e compaixão. Esse caminho tem sido seguido por algumas pessoas em todos os tempos da história da humanidade.
Só recentemente a palavra vegan (VíGN) foi utilizada para distinguir os vegans dos vegetarianos, e o movimento vegan acabou por se tornar uma sociedade.
A primeira sociedade vegan foi organizada e fundada em 1944, na Inglaterra. Em 1960, H. Jay Dinshah fundou a sociedade vegan americana. Desde então mais de 50 sociedades foram criadas em todo o mundo.
Veganismo é muito mais do que uma questão de dieta. É, sobretudo, uma forma de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade contra o reino animal. Isso implica que um vegan se limite ao uso de apenas produtos derivados do mundo vegetal.
Os vegans escolhem viver de uma forma mais humana e compassiva em relação aos animais e são contra a morte e todo o tipo de exploração animal. Não usam produtos derivados de animais - como a lã, couro, peles, roupas ou móveis, artesanato, sabonetes ou cosméticos que contenham produtos de origem animal, escova feita de cabelos, almofadas de penas, etc.
Os vegans não pescam, não caçam e não aprovam o uso de animais nos circos ou zoológicos, rodeios ou touradas.O veganismo lembra ao homem a sua responsabilidade pelos recursos naturais e faz com que ele procure formas de manter o solo e o reino vegetal saudável, assim como o uso correto dos materiais da terra.
Um vegan não se submete à vacinação ou soro feito de animais, nem tão pouco usa drogas que foram testadas cruelmente neles.
O veganismo é uma filosofia de vida, um caminho que procura a harmonia com o meio ambiente.
O vegan, em geral, também se interessa em ter um excelente padrão físico, emocional, mental e espiritual.
Talvez essa lista de coisas seja difícil de seguir. Ela foi feita para mostrar como é grande e extensa a lista de produtos ou substâncias derivadas de animais que normalmente usamos diariamente ao longo de nossas vidas.
Isso ocorre principalmente porque o mercado de vendas desses produtos só pensa em aumentar os seus lucros, independente da exploração animal ou dos efeitos nefastos que isso traga ao meio ambiente ou à saúde a médio prazo.
O curioso é que já existem muitas alternativas, mais humanas, para qualquer tipo de produtos de origem animal. No entanto, são poucas as empresas que as adotam. Na América do Norte e na Europa, tem crescido o comércio de produtos não derivados de animais, devido ao aumento da consciência do respeito ao meio ambiente e a compaixão por todas as formas de vida.
Embora a dieta vegan não contenha vitamina D, os seus seguidores podem consegui-la com a exposição ao sol das mãos e da face durante quinze minutos, cerca de três vezes por semana. Os outros nutrientes mais difíceis de conseguir seguindo uma dieta sem produtos animais, como a vitamina B12, podem facilmente ser obtidos ingerindo alimentos enriquecidos, levedura de cerveja ou, em último caso, recorrendo a suplementos vitamínicos.
Referências:http://www.centrovegetariano.org/http://www.brasil.terravista.pt/ipanema/2954http://www.vivanaturalmente.pt/ (seção viva vegetariano)http://www.terravista.pt/meco/1518

Vegetarianismo, uma revisão histórica:
Peter SingerUniversidade de Princeton
A perspectiva de que devemos evitar comer carne ou peixe tem raízes filosóficas remotas. Nos Upanishades (c. 1000 a.C.), a doutrina da reencarnação levava à abstenção de carne; Buda ensinava a compaixão por todas as criaturas capazes de ter sensações; os monges budistas não podiam matar animais nem comer carne, a menos que soubessem que o animal não tinha sido morto por sua causa; o jainismo pregava a ahimsa, ou a não-violência em relação a qualquer criatura viva e, portanto, a não ingestão de carne.
Na tradição ocidental, o Génesis sugere que os primeiros seres humanos eram vegetarianos e que a permissão para comer carne só teria sido dada após o dilúvio. A partir daí, o vegetarianismo encontra pouco apoio nas escrituras judia ou cristã, ou islâmicas. O vegetarianismo filosófico, por sua vez, foi mais forte na Grécia e na Roma antigas; foi defendido por Pitágoras, Empédocles, Plutarco, Plotino, Porfírio e, em algumas passagens, Platão. Os pitagóricos abstinham-se de todo o alimento animal e isto se devia, em parte, à crença de que homens e animais partilham a mesma alma e, ao que parece, por considerarem esta dieta mais saudável. Platão partilhava parcialmente estas duas ideias. O ensaio de Plutarco, Sobre Comer Carne, escrito em fins do século I ou início do século II de nossa era, é um argumento detalhado em defesa do vegetarianismo, apoiando-se nas ideias de justiça e tratamento humano dos animais.
O interesse pelo vegetarianismo ressurgiu no século XIX, devido a preocupações com questões de saúde e tratamento humano dos animais. Entre os pensadores vegetarianos notáveis contam-se o poeta Percy Bysshe Shelley, Henry Salt (que escreveu um livro pioneiro na área, intitulado Direitos dos Animais), e George Bernard Shaw, que afirmou ter usado, em suas peças, as ideias que Salt lhe deu a conhecer. Na Alemanha, Arthur Schopenhauer insistia que, por razões éticas, deveríamos tornar-nos vegetarianos, não fosse o facto de o género humano não poder existir sem alimento animal, "no norte"!
A partir dos anos 70, o vegetarianismo ganhou força a partir de três linhas de argumentação: saúde, ecologia e preocupação pelos animais. A primeira baseia-se numa afirmação mais científica que filosófica, e não será discutida aqui. As preocupações ecológicas em relação ao hábito de comer carne surgem da bem documentada ineficiência na criação de animais em larga escala, o que se aplica especialmente à agricultura intensiva, em que o cereal cresce em boa terra e alimenta animais confinados a ambientes fechados ou, no caso do gado, em campos de engorda sobrepovoados. Boa parte do valor nutricional do cereal se perde no processo e esta forma de produção animal consume ainda grandes quantidades de energia. Conseqüentemente, a preocupação pelo problema da fome no mundo, pela preservação da terra e pela conservação de energia fornecem uma base ética para uma dieta vegetariana, ou ao menos uma dieta em que o consumo de carne seja minimizado.
Os argumentos a favor de uma reavaliação do estatuto moral dos animais também têm apoiado o vegetarianismo. Se os animais têm direitos, ou se é apropriado que os seus interesses recebam a mesma consideração que nossos interesses, é fácil ver que há dificuldades em afirmar que estamos autorizados a comer animais não-humanos (mas não, presumivelmente, seres humanos, mesmo se em razão de algum acidente estes se encontrarem em uma condição mental semelhante à dos animais que comemos). Estes argumentos éticos em defesa do vegetarianismo podem basear-se na perspectiva de que violamos os direitos dos animais quando os matamos para nos alimentar ou, em fundamentos mais utilitaristas, segundo os quais criar animais para nos servir de alimento causa-lhes mais sofrimento do que o benefício obtido com o consumo de sua carne.
Peter Singer

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